Os Açores em 14 Dias: Seis Ilhas, Sem Manhãs Apressadas
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Os Açores em 14 Dias: Seis Ilhas, Sem Manhãs Apressadas

Catorze dias é o número que faz os Açores deixarem de parecer uma lista de tarefas. Qualquer prazo mais curto obriga a escolher um grupo de ilhas — oriental, central ou ocidental — e a deixar os restantes de fora. Catorze dias permitem fazer os três, desde que as ligações entre eles sejam planeadas antes de reservar um único voo, e não improvisadas depois de aterrar.

Este roteiro percorre seis ilhas — São Miguel, Terceira, Pico, Faial, São Jorge e Flores — usando voos da SATA Air Açores entre grupos e os ferries da Atlânticoline dentro do fiável “Triângulo” Pico–Faial–São Jorge.

É um percurso de dificuldade moderada e orçamento médio: caminhadas confortáveis, sem exigir montanhismo técnico, um carro alugado à parte em cada ilha, e folga suficiente perto do fim para absorver um atraso por mau tempo sem perder um dia de viagem. Para quem tem menos de duas semanas, as versões mais curtas de sete dias ou dez dias desta viagem cobrem duas ou três ilhas em vez de seis.

Porquê este roteiro e não um mais curto

Duas ilhas podem ver-se numa semana. Seis não — não porque as próprias ilhas demorem mais a percorrer, mas porque os intervalos entre elas demoram. Os voos entre ilhas seguem o horário da SATA, não a pedido, e a rede de ferries que liga o grupo central é sazonal fora do triângulo Pico–Faial–São Jorge. Uma viagem pensada para cobrir seis ilhas em dez dias acaba por gastar três deles em transferências sem qualquer margem, pelo que um único ferry cancelado rumo ao grupo ocidental derruba toda a segunda metade do plano. Catorze dias acrescentam os dois dias de reserva que tornam esse risco gerível em vez de fatal.

Dia 1: Chegada a Ponta Delgada, São Miguel

Aterre em Ponta Delgada, levante o carro alugado e aproveite a tarde com calma: um passeio pelas ruas de basalto e calcário da cidade velha e pelos portões da cidade, seguido de um jantar cedo. São Miguel é a maior ilha do arquipélago e o local mais fácil para se habituar ao ritmo ilhéu antes de o roteiro ganhar intensidade. Não esqueça que os Açores estão em UTC-1, uma hora atrás de Lisboa continental — um pormenor que apanha desprevenidos os viajantes que fazem ligação pela capital.

Dia 2: Sete Cidades e o oeste

Siga de carro até às Sete Cidades para ver as lagoas gémeas da cratera — uma tradicionalmente descrita como azul, a outra como verde, vistas em conjunto a partir do miradouro da Vista do Rei. Continue pela costa oeste durante a tarde, com tempo para um pequeno passeio costeiro se as nuvens abrirem. É também uma boa introdução ao ditado açoriano das quatro estações num só dia: leve sempre uma camada extra, seja qual for a previsão da manhã.

Dia 3: Vale das Furnas

Um dia inteiro à volta das Furnas: o jardim botânico do Terra Nostra e a sua piscina termal quente, rica em ferro, as piscinas termais da Poça da Dona Beija (leve um fato de banho escuro e uma toalha que não se importe de manchar — a água ferruginosa deixa uma tonalidade alaranjada duradoura), e um almoço de cozido das Furnas, o guisado cozinhado durante horas no solo vulcânico ali perto. Reserve o restaurante com um ou dois dias de antecedência, já que as panelas vão para debaixo da terra antes do amanhecer e só saem a tempo do almoço.

Dia 4: Costa este e a primeira observação de baleias

Rume à Lagoa do Fogo de manhã e depois à ponta leste da ilha, junto ao Nordeste e à Povoação, para a paisagem mais verde e menos visitada de São Miguel. Ao final da tarde, embarque a partir de Ponta Delgada no passeio de observação de baleias e património baleeiro de São Miguel, que junta a história baleeira da ilha a uma hipótese real de avistar cachalotes ou golfinhos comuns — os avistamentos são frequentes, mas nunca garantidos, seja o que for que prometa um folheto.

Dia 5: Voo para a Terceira

Devolva o carro de São Miguel e voe pela SATA até à Terceira, a outra grande ilha do grupo central. Passe a tarde em Angra do Heroísmo, a cidade histórica classificada pela UNESCO que foi outrora um importante porto de escala entre a Europa, a África e as Américas. Levante aqui um segundo carro alugado — nenhuma das ilhas partilha frota, por isso reserva-se à parte de São Miguel.

Dia 6: O interior vulcânico da Terceira

Desça ao Algar do Carvão, uma chaminé vulcânica oca por onde se desce em vez de uma gruta que se atravessa de lado, e siga depois para os Biscoitos para ver vinhas plantadas diretamente em campos de lava solidificada. À tarde, reserve a excursão de nado com golfinhos na Terceira — um tipo de encontro diferente do passeio de baleias de São Miguel, e que vale a pena fazer especificamente nesta ilha, já que as águas da Terceira têm populações residentes de golfinhos comuns e roazes junto à costa.

Dia 7: Voo para o Faial

Voe pela SATA da Terceira até ao Faial, aterrando na Horta. Passe a tarde na marina, coberta de ponta a ponta com pinturas deixadas por marinheiros de passagem, e faça uma paragem no Peter Café Sport, o ponto de encontro tradicional das tripulações de veleiros desde a era das travessias atlânticas.

Dia 8: Capelinhos e a Caldeira

Siga até aos Capelinhos, o vulcão nascido de uma erupção submarina em 1957-58 — o seu centro de visitantes está meio soterrado nas cinzas que produziu. À tarde, faça o tour guiado de meio-dia pelo Faial até à Caldeira do Faial, a cratera vulcânica da própria ilha, antes de devolver o carro na Horta a tempo do ferry do dia seguinte.

Dia 9: Ferry para o Pico

Atravesse de ferry da Atlânticoline entre a Horta e a Madalena — cerca de trinta minutos, e a travessia interilhas mais fiável do arquipélago, a funcionar todo o ano várias vezes por dia. Levante um carro alugado no Pico e instale-se na Madalena para a noite.

Dia 10: Vinho, baleias e as encostas baixas do vulcão

Manhã na paisagem vinhateira classificada pela UNESCO à volta da Criação Velha, onde muros de pedra negra chamados currais quebram o vento à volta de cada videira plantada diretamente na lava. À tarde, siga até às Lajes do Pico, o antigo porto baleeiro, para o passeio de observação de baleias com biólogo a bordo — um percurso que ainda usa as mesmas vigias em terra outrora usadas para avistar o sopro dos cachalotes para os baleeiros.

Quem quiser acrescentar a ascensão à Montanha do Pico propriamente dita precisa de uma reserva separada na Casa da Montanha, e isso acrescenta um dia inteiro extra; este roteiro mantém-se nas encostas baixas para não sair do calendário.

Dia 11: Ferry para São Jorge

Uma travessia adicional, mais curta, da Atlânticoline leva-o do Pico para dentro da rede do Triângulo, que funciona todo o ano, e daí até às Velas, em São Jorge. É a única travessia de ferry desta viagem que pode reservar com verdadeira confiança — é a mesma rota fiável, não a sazonal.

Dia 12: As fajãs

São Jorge organiza-se à volta das suas fajãs, os patamares costeiros formados por antigos fluxos de lava e deslizamentos de terra. Passe o dia no lado leste da ilha, idealmente com a caminhada de dia inteiro que inclui uma ou duas das fajãs mais espetaculares e as suas lagoas de amêijoas, terminando com um prato do queijo de denominação de origem protegida da ilha nas Velas.

Dia 13: Voo para as Flores — e reservar folga

Voe de São Jorge (com uma ligação) até às Flores, no grupo ocidental. É o trajeto a tratar com mais respeito: alguns guias de ilhas em cadeia dão a entender que as travessias ocidentais são tão fiáveis como os ferries do Triângulo central, e não são — os voos e ferries até às Flores e ao Corvo são as ligações mais sensíveis ao tempo de todo o arquipélago. Deixar os dias nas Flores para o final de uma viagem de 14 dias, em vez de os colocar a meio, significa que um atraso aqui consome a folga em vez de comprometer o resto do roteiro.

Dia 14: Flores antes da partida

Um dia inteiro entre as lagoas de cratera e cascatas das Flores — Lagoa Funda, Lagoa Comprida, e as quedas de água perto da Fajã Grande, se o tempo ajudar. Se a ligação de regresso for cedo, passe a condução deste dia para a manhã e mantenha a tarde livre como garantia contra a mesma fragilidade das travessias que o trouxe até aqui. Para quem prefere não comprimir as Flores ou o Corvo, o roteiro autónomo de quatro dias pelas Flores e Corvo mostra como dar mais espaço ao grupo ocidental por si só.

Notas de orçamento e ritmo

EtapaTransporteCusto típico (ida)
São Miguel → TerceiraVoo SATAVaria consoante a época e a antecedência da reserva
Terceira → FaialVoo SATAVaria consoante a época e a antecedência da reserva
Faial → PicoFerry AtlânticolineCusto baixo, ~30 minutos
Pico → São JorgeFerry AtlânticolineCusto baixo, dentro da rede do Triângulo
São Jorge → FloresVoo SATA (com ligação)Varia consoante a época e a antecedência da reserva

Reserve os voos interilhas com a maior antecedência que as suas datas permitirem — a capacidade da SATA entre as ilhas mais afastadas é limitada mesmo em época intermédia — e trate as ligações de ferry como flexíveis apenas dentro do Triângulo. Um carro alugado em cada ilha, em vez de um único carro transportado de ferry, mantém o orçamento médio e a logística simples.

Perguntas sobre um roteiro de 14 dias pelos Açores

Preciso de alugar carro em todas as ilhas?

Sim. O aluguer de carro faz-se separadamente em cada ilha — não existe uma frota única que o acompanhe entre ferries ou voos — e o transporte público entre aldeias é limitado o suficiente para que um carro seja quase indispensável para ver qualquer ilha para além da vila principal.

O que acontece se o voo ou o ferry para as Flores forem cancelados?

Trate isso como uma possibilidade real, não como um caso raro: as ligações do grupo ocidental são as mais sensíveis ao tempo de todo o arquipélago. Agendar as Flores para o final da viagem, como faz este roteiro, significa que um atraso consome a folga em vez de empurrar as ilhas ainda por visitar.

Será possível fazer estas seis ilhas em menos de 14 dias?

Só cortando um grupo inteiro. Dez dias cobrem três ilhas confortavelmente; espalhar os mesmos três voos e dois ferries por seis ilhas em dez dias elimina a margem que protege a viagem de uma única ligação perdida.

Este roteiro é adequado para uma família com crianças?

O ritmo é moderado e a maioria das paragens envolve caminhadas curtas em vez de terreno técnico, mas seis ilhas e cinco transferências são muitas malas para fazer e desfazer com crianças pequenas. Uma versão mais curta, de uma ou duas ilhas, costuma ser mais adequada a uma viagem em família.

Preciso de reservar os passeios de observação de baleias com antecedência?

Sim, especialmente em julho e agosto. Os barcos operam com quotas diárias, e as saídas de tarde mais procuradas em São Miguel e no Pico esgotam com dias de antecedência na época alta.

Devo fazer a ascensão à Montanha do Pico neste roteiro?

Só se estiver disposto a acrescentar um dia. A ascensão exige uma reserva separada junto da Casa da Montanha, um dispositivo GPS entregue no início e tempo suficiente para descer em segurança — não cabe confortavelmente no único dia que este roteiro dedica às encostas baixas e vinhas do Pico.

14 dias é demasiado se só me interessarem as caminhadas?

Não necessariamente, mas uma versão desta viagem orientada para caminhadas trocaria parte do tempo em vilas e piscinas termais por mais dias de trilho em São Jorge e nas Flores — vale a pena considerar se caminhar, e não fazer turismo, for a prioridade.

Qual é o maior erro de planeamento numa viagem como esta?

Reservar o voo ou o ferry do grupo ocidental até às Flores a meio da viagem em vez de perto do fim. Qualquer contratempo aí ameaça depois todas as ilhas ainda por visitar, em vez de apenas os últimos dias.

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