Criação Velha: a Paisagem Vinícola do Pico Classificada pela UNESCO
Pico — a montanha, as baleias e as vinhas UNESCO

Criação Velha: a Paisagem Vinícola do Pico Classificada pela UNESCO

Criação Velha é o trecho mais fotografado da paisagem vinícola do Pico: currais de pedra vulcânica entre a Madalena e o mar.

Factos rápidos

Distância da Madalena
Cerca de 5 km a sul, 10 minutos de carro pela estrada costeira
Orçamento para a visita
€0–5 (a paisagem é livre para percorrer; pequenas entradas de museus próximos custam €3–5)
Melhor altura para visitar
Final da tarde, o ano todo; as vinhas estão mais verdes de maio a setembro
Tempo necessário no local
1–2 horas, mais tempo com uma câmara ou uma visita guiada a uma vinícola
Ideal para
Fotógrafos à procura da imagem clássica de pedra negra e mar azul do Pico, Viajantes de património UNESCO que querem conhecer a própria paisagem vinícola, Exploradores autónomos e sem pressa que preferem caminhar em vez de ser guiados, Entusiastas da paisagem vinícola que querem o cenário sem uma prova formal de vinhos
Melhor altura para visitar
A luz do final da tarde é a melhor para os muros de pedra, e qualquer mês serve para a paisagem em si, mas as vinhas estão mais verdes e fotogénicas de maio a setembro, com atividade de vindima por volta de agosto e setembro.
Dias necessários
Poucas horas chegam; meio dia se combinar com uma prova de vinhos ou uma caminhada pela costa.
Resposta rápida

O que é a Criação Velha e é um sítio que se pode mesmo visitar?

A Criação Velha é um trecho costeiro de paisagem vinícola no Pico, mesmo a sul da Madalena, onde milhares de pequenas parcelas retangulares chamadas currais estão cercadas por muros de pedra vulcânica negra. É uma paisagem agrícola ao ar livre, parte da Cultura da Vinha da Ilha do Pico classificada pela UNESCO, não uma vinícola nem uma propriedade com um único edifício visitável.

Muros de Pedra, Não uma Vinícola: O Que a Criação Velha Realmente É

Diga «as vinhas do Pico» a quem já tenha visto uma fotografia da ilha, e é quase certo que é este o lugar a que se refere. A Criação Velha não é uma vinícola, uma propriedade, nem um único endereço que se digite num mapa para chegar a uma porta de adega. É uma paisagem: vários quilómetros quadrados de rocha vulcânica negra recortada em milhares de pequenas parcelas retangulares, cada uma fechada por um muro baixo de pedra vulcânica sem argamassa. As parcelas chamam-se currais, e os muros existem por uma razão simples e prática — quebrar o vento e o borrifo salgado que chega diretamente do Atlântico, para que as vinhas plantadas diretamente na lava fissurada consigam sobreviver perto do mar.

Não há bilheteira à entrada, não há um percurso guiado que todos façam, nem um único edifício onde se conte toda a história. É precisamente esse o ponto, e é precisamente onde os visitantes de primeira vez se enganam. Se chegar à espera de uma propriedade ao estilo de Bordéus, com loja, sala de provas e parque de estacionamento junto à porta, vai passar pela Criação Velha a perguntar-se onde está «a vinha». O que está realmente à procura é a própria estrada costeira, e o labirinto de pedra que corre ao longo dela por vários quilómetros.

Esta página aborda apenas esse trecho de costa cercada de muros de pedra — onde parar para as melhores vistas, como estão dispostos os currais, quando a luz funciona melhor, e como encaixar uma visita num dia no Pico. Sobre o vinho em si — as castas, como funcionam as provas, e onde beber efetivamente o resultado — veja o guia dedicado Vinho do Pico e vinhas UNESCO e o mais abrangente guia do vinho dos Açores.

Se o seu plano para o dia incluir também o vulcão da ilha, isso pertence à página separada da Montanha do Pico e ao guia prático de ascensão à Montanha do Pico, não aqui.

Onde a Criação Velha Se Situa no Pico

A Criação Velha situa-se na costa sudoeste do Pico, a curta distância de carro a sul da Madalena, a principal vila portuária da ilha. A paisagem cercada de muros de pedra estende-se numa faixa entre a estrada costeira e o mar, aproximadamente paralela à linha de costa, com a Santa Luzia a continuar o mesmo estilo de vinha um pouco mais a sul. No interior e a leste, o terreno sobe em direção às encostas que acabam por chegar ao próprio vulcão; a Criação Velha mantém-se baixa, plana e costeira, o que explica exatamente porque é que a luz e a linha do horizonte funcionam tão bem nas fotografias.

Seguindo pela mesma costa em direção à ponta ocidental da ilha chega-se a São Roque do Pico, enquanto o lado oposto da ilha, virado para a observação de baleias, tem como centro Lajes do Pico. É melhor tratar a Criação Velha como uma paragem num circuito pela ilha do que como um destino que precise de um dia dedicado — a maioria dos visitantes inclui-a numa manhã ou tarde que também cubra a Madalena e um trecho da estrada costeira.

Como Funcionam os Currais: Ler uma Paisagem Construída a Partir de Lava

Compreender o que se está a ver faz a diferença entre «um campo de pedras» e um dos exemplos mais notáveis de agricultura adaptada na Europa. Cada curral é pequeno, tipicamente com apenas quatro a oito metros de largura, cercado em todos os lados por pedras empilhadas sem argamassa, usando apenas o próprio peso e forma para se manterem unidas. Os muros são normalmente baixos o suficiente para se ver por cima, mas suficientemente sólidos para terem resistido desde que a prática começou no século XV, quando os primeiros colonos do Pico perceberam que a rocha vulcânica, partida e empilhada, podia fazer o que o solo sozinho não conseguia: abrigar uma vinha do vento que de outra forma lhe rasgaria as folhas e cobriria tudo de sal.

Dentro de cada curral, as vinhas são plantadas diretamente em fissuras e reentrâncias na rocha nua, em vez de num solo cultivado como aconteceria numa vinha continental. Praticamente não há terra vegetal aqui — as raízes da planta encontram a nutrição e a humidade que conseguem entre a rocha. O resultado, visto de uma ligeira elevação ou simplesmente ao caminhar pela estrada, é uma paisagem que se lê quase como um puzzle de pedra seca: centenas de pequenos retângulos escuros, com muros a correr em todas as direções, e as próprias vinhas baixas e discretas contra o solo negro até estar perto o suficiente para ver as folhas.

Espalhados pelo padrão encontram-se pequenas casotas de pedra e adegas — construções simples de armazenamento ou trabalho, algumas ainda em uso, outras abandonadas — e aqui e ali um curral foi deixado ao mato em vez de replantado, um lembrete de que esta é uma paisagem viva e ativa, e não uma peça de museu mantida apenas para os visitantes. Reconhecer a diferença entre uma parcela ativa e uma em pousio é parte do que torna uma caminhada lenta pela Criação Velha mais interessante do que uma paragem de cinco minutos para fotografar.

Os Melhores Miradouros e Pontos Fotográficos

A fotografia clássica da Criação Velha combina três elementos num único enquadramento: os muros de pedra negra em primeiro plano, filas de currais que se afastam em direção ao mar, e o Atlântico aberto a preencher o fundo — muitas vezes com a silhueta da Montanha do Pico visível num dia limpo, se virar a câmara para o interior. Uma série de bermas e pequenos caminhos ao longo da estrada costeira dão acesso a esta vista sem ser preciso caminhar muito longe do carro.

PontoO que se obtémMelhor para
Bermas da estrada costeira perto da Criação VelhaVista ampla sobre os currais em direção ao marParagens rápidas, planos grande angular
Caminhos em direção à linha de costaMuros em primeiro plano, ondas atrásTexturas em close-up, luz do pôr do sol
Terreno ligeiramente elevado no interior da estradaPadrão dos muros visto de uma pequena alturaVistas gerais, mostrando o traçado do labirinto
Santa Luzia, logo a sulCurrais semelhantes com menos visitantesVariações mais tranquilas e menos fotografadas

Nenhum destes pontos exige bilhete ou guia, e nenhum está assinalado com grande sinalética — parte de visitar bem a Criação Velha é simplesmente abrandar ao longo da estrada costeira em vez de procurar uma «entrada» formal. Tanto uma teleobjetiva curta como uma grande angular funcionam aqui, consoante se queira isolar um único muro de pedra ou captar a amplitude total da paisagem.

Caminhar Entre os Currais: O Que É Permitido e o Que Não É

Trilhos públicos e caminhos de acesso atravessam partes da paisagem da Criação Velha, e caminhar um pequeno trecho é a melhor forma de perceber realmente como os currais são construídos, em vez de os ver apenas a partir da estrada. Dito isto, as próprias parcelas são cultivadas de forma privada, e a etiqueta aqui importa mais do que possa parecer à primeira vista.

Mantenha-se nos trilhos assinalados e nos caminhos existentes, em vez de atravessar um curral, por mais tentador que pareça um atalho. Não suba aos muros nem retire pedras para uma fotografia — não têm argamassa, aguentam-se apenas pelo próprio peso, e um muro que resiste desde o século XV pode ser danificado por um único passo mal colocado muito mais depressa do que foi construído.

As vinhas dentro das parcelas são a colheita de alguém, não decoração, por isso mantenha as mãos e as câmaras afastadas das próprias plantas. Cães, drones sem autorização prévia e veículos fora da estrada pavimentada são melhor evitados; este é um local agrícola em atividade dentro de uma paisagem protegida pela UNESCO, e tanto os agricultores como a classificação de património dependem de os visitantes tratarem o local dessa forma.

Melhor Hora do Dia e Estação para a Luz

Os fotógrafos tiram geralmente o melhor partido da Criação Velha ao final da tarde, quando o sol está baixo o suficiente para incidir rasante sobre os muros de pedra e projetar longas linhas de sombra entre os currais — é isto que transforma um campo cinzento e plano de rocha numa paisagem com profundidade e textura reais. O sol do meio-dia, pelo contrário, achata os muros e pode desvanecer o contraste entre a pedra e a vinha.

A estação importa mais para as vinhas do que para a pedra. De maio a setembro as plantas dentro dos currais estão em folha e verdes, o que suaviza a paleta de outra forma austera, em preto e cinzento, da paisagem; fora dessa janela, sobretudo no inverno, as vinhas estão nuas e os muros dominam a vista quase por completo. A atividade de vindima, quando acontece, cai normalmente por volta de agosto e setembro, e é a altura em que é mais provável ver pessoas a trabalhar ativamente dentro das parcelas, em vez de a paisagem em silêncio. Nada disto muda o acesso — os muros e a estrada costeira são impressionantes em qualquer mês —, mas muda o que se vê a crescer dentro deles.

Como Chegar e Combinar a Criação Velha com o Resto do Pico

Um carro alugado é a forma prática de chegar à Criação Velha, já que fica ao longo da estrada costeira, sem paragem de autocarro dedicada nem vaivém organizado. A partir da Madalena é uma viagem curta e direta de cerca de dez minutos, tornando-a um complemento fácil a uma manhã passada na vila ou a um circuito mais longo pelo lado ocidental da ilha.

Vários passeios pela ilha inteira também passam ou param na paisagem vinícola como parte de um dia mais amplo no Pico, uma opção razoável se preferir não conduzir pela estrada costeira sozinho ou quiser o contexto de um condutor-guia a preencher a história pelo caminho. Um percurso de dia inteiro em 4x4 pelo interior vulcânico e pela costa do Pico inclui tipicamente uma paragem entre os currais, além de trechos das estradas de montanha e de Lajes do Pico.

Se o vinho for a prioridade e não apenas a paisagem, uma caminhada guiada pela paisagem vinícola com prova incluída junta os muros de pedra a uma prova real do que produzem. Os viajantes que preferem definir o seu próprio ritmo por toda a ilha, com a Criação Velha como uma paragem entre várias, por vezes preferem um dia privado pela ilha, com condutor.

Para uma noção mais ampla de como a Criação Velha se encaixa num plano de vários dias no Pico, o itinerário de Pico e Faial em 5 dias integra-a junto com a montanha, os portos baleeiros e uma travessia de ferry até ao Faial. Se ainda estiver a decidir como ocupar o tempo na ilha de forma mais geral, tanto o centro o que fazer no Pico como a categoria provas de vinho cobrem opções para além desta única paisagem.

Dicas Práticas Antes de Ir

Vale a pena ter presentes alguns pontos em vez de os descobrir na estrada. Não há sombra na maior parte do trecho da estrada costeira, por isso a proteção solar importa mesmo num dia açoriano nublado, e não há instalações — cafés, casas de banho ou lojas — diretamente entre os currais, por isso planeie uma paragem na Madalena ou em São Roque do Pico antes ou depois. A rede móvel funciona geralmente bem ao longo deste trecho de costa, mas não conte encontrar painéis informativos impressos em todos os miradouros; este é, antes de mais, um local de trabalho, e só depois uma atração.

Calçado firme e fechado faz mais sentido do que sandálias se pretender caminhar por algum dos trilhos, já que o terreno é rocha vulcânica solta em vez de um piso pavimentado. E, porque os muros são precisamente o ponto central da classificação UNESCO, resista à tentação de se sentar num deles para uma fotografia — um rebordo baixo que parece firme resistiu muitas vezes, intocado, durante cinco séculos, e não está ali para servir de banco.

Combine a visita com uma pequena janela de boa luz em vez de a espremer no meio de um dia de visitas apertado, e a Criação Velha recompensa com surpreendentemente pouco tempo — uma a duas horas costumam bastar para percorrer um trecho da estrada costeira, apreciar alguns miradouros e compreender porque é que este pequeno canto do Pico tem, por mérito próprio, estatuto UNESCO.

Perguntas Frequentes Sobre Visitar a Criação Velha

O que é a Criação Velha e é um sítio que se pode mesmo visitar?

A Criação Velha é um trecho costeiro de paisagem vinícola no Pico, mesmo a sul da Madalena, onde milhares de pequenas parcelas retangulares chamadas currais estão cercadas por muros de pedra vulcânica negra. É uma paisagem agrícola ao ar livre, parte da Cultura da Vinha da Ilha do Pico classificada pela UNESCO, não uma vinícola nem uma propriedade com um único edifício visitável.

A Criação Velha é uma vinícola que se visita como em Bordéus ou no Douro?

Não. Não há castelo, não há uma única porta de adega, nem uma visita guiada única à «vinha». A Criação Velha é um mosaico de pequenas parcelas familiares protegidas por muros de pedra; percorre-se a pé ou de carro e para-se onde as vistas são melhores, em vez de fazer check-in numa única propriedade.

Como chego à Criação Velha a partir da Madalena?

Fica ao longo da estrada costeira, cerca de 5 km a sul da Madalena, uns 10 minutos de carro. Não há paragem de autocarro público mesmo junto às vinhas, por isso um carro alugado, um táxi ou um passeio organizado são a forma prática de lá chegar.

Posso caminhar entre os próprios currais?

Sim, pelos trilhos e caminhos de acesso assinalados que atravessam a paisagem, mas as parcelas em si são privadas e cultivadas. Mantenha-se nos trilhos e caminhos, afaste-se das vinhas e nunca desloque pedras dos muros, que não têm argamassa e podem desmoronar se forem mexidos.

Qual é a melhor hora do dia para fotografar os muros de pedra?

O final da tarde, quando o sol baixo incide rasante sobre os muros e projeta linhas de sombra entre os currais, dá o maior contraste contra a rocha negra e o Atlântico ao fundo. A luz encoberta do meio-dia achata a cena, embora ainda mostre claramente o padrão dos muros.

Há taxa de entrada na Criação Velha?

Não, a própria paisagem é livre para percorrer e fotografar. Alguns sítios relacionados próximos, como um espaço expositivo sobre vinho, podem cobrar uma entrada modesta de alguns euros, mas os currais e a estrada costeira não custam nada para ver.

Como se relaciona a Criação Velha com o sítio UNESCO da Cultura da Vinha da Ilha do Pico?

A Criação Velha, juntamente com a Santa Luzia mais a sul, forma o núcleo da área de cerca de 987 hectares inscrita pela UNESCO em 2004 como Cultura da Vinha da Ilha do Pico. É a secção que a maioria dos viajantes imagina quando ouve falar das «vinhas do Pico».

Devo combinar a Criação Velha com uma prova de vinhos?

Funciona bem de qualquer das formas. Muitos visitantes limitam-se a percorrer a paisagem e a fotografá-la de graça, acrescentando depois uma pequena prova de vinhos à parte se quiserem provar o que os currais produzem; as duas experiências não têm de acontecer na mesma paragem. Para um dia de vinho e gastronomia que vai além de uma única prova, um dia inteiro combinando provas de vinho com gastronomia local pelo Pico cobre bem esse terreno.

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