Pico e Faial em 5 Dias
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Pico e Faial em 5 Dias

Porque é que Pico e Faial funcionam como uma só viagem

Estas duas ilhas ficam perto o suficiente para que a travessia de ferry entre elas demore cerca de vinte minutos, e os locais encaram a viagem como noutros lugares se encara uma ida de autocarro à cidade. O Pico é a ilha do vinho e da montanha — uma paisagem vulcânica árida, costurada com muros de pedra negra.

O Faial é mais verde, mais suave, e construído à volta de uma marina em atividade que acolhe navegadores transatlânticos há mais de um século. Cinco dias chegam para conhecer bem as duas, sem correrias entre elas, desde que o único ponto fixo no calendário — a subida à Montanha do Pico — seja reservado antes de tudo o resto.

Este roteiro pressupõe um carro alugado em cada ilha (os aluguéres aqui são separados; nada transita de ilha para ilha), uma forma física moderada para um dia inteiro de caminhada, e um orçamento médio que combina alojamento independente ou casas de hóspedes com algumas excursões pagas.

Antes de partir: reserve a montanha primeiro

O acesso à Montanha do Pico é contingentado — um número limitado de montanhistas é autorizado no trilho por dia, o registo faz-se antecipadamente na casa da montanha, e a cada montanhista é entregue um dispositivo GPS a devolver no final.

Este é o único pormenor capaz de desfazer uma semana bem planeada: chegar no dia marcado e descobrir que a subida está esgotada, ou que o nevoeiro fechou o trilho sem sobrar um dia de reserva para remarcar. Reserve a vaga na montanha assim que os voos estiverem confirmados, e construa o resto deste roteiro à volta dela — nunca ao contrário. O processo de reserva e os horários são tratados à parte; encare esse passo como trabalho de casa a terminar antes mesmo de começar o dia um abaixo.

Dia 1: Chegada à Madalena e ao país do vinho do Pico

Chegue de avião ou de ferry à Madalena, a principal vila do Pico, e aproveite a tarde de chegada para se orientar em vez de se apressar para as terras altas. A frente marítima da Madalena olha diretamente para o Faial do outro lado do canal — numa tarde de céu limpo consegue ver-se a Horta a partir do cais, uma boa antevisão da geografia de amanhã.

Depois de se instalar numa casa de hóspedes, siga o curto trajeto até à Criação Velha, o troço mais bem preservado da paisagem vinhateira do Pico, classificada Património da UNESCO. Os currais aqui — pequenos lotes retangulares murados em pedra vulcânica seca — foram traçados a partir do século XV para proteger as vinhas do vento salgado, e o padrão de muros negros contra as folhas verdes das videiras não tem igual em nenhum outro território vinícola da Europa. Uma hora a percorrer os caminhos entre os lotes, com uma paragem numa adega local para uma prova, é uma forma suave de sacudir o cansaço da viagem antes dos dias mais exigentes que se seguem.

Para jantar, fique na Madalena e deite-se cedo — o segundo dia começa antes do nascer do sol.

Dia 2: A subida à Montanha do Pico

Este é o dia fisicamente mais exigente da viagem, e merece ser dedicado a ele por inteiro, sem outros planos sobrepostos. Apresente-se na Casa da Montanha à hora reservada; a equipa faz o check-in, entrega o dispositivo GPS e dá as informações sobre as condições do trilho antes da partida.

A subida até aos 2.351 metros — o ponto mais alto de Portugal — leva à maioria dos grupos entre quatro a seis horas de ida e volta, mais tempo se continuar para lá da cratera até ao Piquinho, o pequeno cone final no verdadeiro cume. O terreno é rocha vulcânica solta do princípio ao fim, sem sombra e com tempo que muda com frequência; a nuvem pode fechar em poucos minutos mesmo numa manhã de céu limpo. Um guia certificado é fortemente recomendado, sobretudo para a escalada exposta até ao próprio Piquinho, e torna-se praticamente essencial se o objetivo for uma subida ao nascer do sol ou noturna em vez de diurna.

Regresse à Madalena ao final da tarde com pernas que já mereceram um jantar tranquilo e uma noite de descanso cedo. Se o vento ou as nuvens obrigarem a cancelar no dia reservado, é também por isso que reservar tempo no Pico antes da travessia de ferry é importante — um dia de reserva aqui consegue absorver uma remarcação por mau tempo que um roteiro mais apertado não conseguiria.

Dia 3: Lajes do Pico, história baleeira e baleias

Siga para sul até às Lajes do Pico, o histórico porto baleeiro da ilha e ainda hoje o ponto de referência para a observação de baleias em todo o arquipélago. As antigas vigias — postos de observação no alto das falésias, outrora usados para detetar o sopro das baleias que emergiam à superfície — continuam ativas, agora ocupadas por biólogos marinhos que orientam os barcos por rádio em vez de tripulações de baleeiros.

Os cachalotes são residentes aqui e avistados na maioria dos meses do ano, junto com golfinhos comuns e roazes; os grandes rorquais migratórios passam sobretudo na primavera, por isso não conte que uma viagem de observação de baleias no verão signifique o mesmo que uma na primavera.

Os barcos saem várias vezes por dia na época alta, e um passeio de observação de baleias a partir das Lajes do Pico é a forma natural de passar a manhã, idealmente ainda com o sistema de vigias a fazer o trabalho de deteção, em vez de um barco a procurar às cegas. Nenhum operador consegue garantir um avistamento, sejam quais forem os números de sucesso anunciados na cabine de venda — encare-o como um resultado muito provável, não como uma certeza.

À tarde, visite a zona do Museu dos Baleeiros nas Lajes para ver os pátios de esfola e os edifícios fabris que dão contexto histórico ao passeio de barco da manhã, ou, se preferir continuar na água, um passeio de barco pelo património baleeiro do Pico percorre um trajeto semelhante a partir do mar. Para quem prefira deixar a logística do dia inteiro nas mãos de outra pessoa, um passeio guiado de um dia pelo Pico pode combinar as Lajes, os vinhedos e uma paragem num miradouro numa só saída. Pernoite novamente na Madalena; o ferry para o Faial parte de lá amanhã.

Dia 4: Ferry para o Faial e a Horta

Apanhe o ferry da Atlânticoline da Madalena para a Horta — uma travessia de cerca de vinte minutos, com várias saídas por dia, durante todo o ano, o que faz dela a ligação inter-ilhas mais fiável de todo o arquipélago. Os carros também podem atravessar, embora muitos viajantes prefiram deixar o aluguer do Pico para trás e alugar um novo à chegada ao Faial, já que os aluguéres aqui são feitos ilha a ilha.

Passe o resto da manhã na própria Horta. A marina é o coração da vila: gerações de navegadores transatlânticos pintaram murais nas paredes do porto antes de zarparem de novo, uma superstição transformada em tradição que hoje cobre centenas de metros de pavimento e muralha marítima. Entre no Peter Café Sport, o bar dos velejadores que serve esta gente desde 1918, para um café ou um gin, e aproveite para ver a coleção de scrimshaw no piso de cima.

À tarde, siga até ao local do vulcão dos Capelinhos, na ponta ocidental da ilha. Isto não é uma ruína histórica — o vulcão emergiu do mar aqui em 1957-58, soterrando um farol em cinzas e acrescentando terra nova à ilha em tempo real. O centro de visitantes está construído em parte sob o antigo campo de cinzas, e a caminhada pelo terreno cinzento e lunar até ao farol soterrado é um dos passeios curtos mais impressionantes dos Açores. Termine o dia na Caldeira do Faial, a cratera vulcânica perto do centro da ilha, se ainda houver luz do dia, ou guarde-a para amanhã de manhã.

Dia 5: A cratera do Faial, mais uma saída ao mar, e partida

Use a manhã para o que tiver ficado por fazer do plano de ontem — a Caldeira do Faial, com o seu curto trilho pedestre e as vistas sobre a bacia coberta de vegetação, vale o desvio se não a visitou ontem.

Se o horário do voo ou do ferry permitir, encerre a viagem com mais uma saída marítima antes de deixar o Faial: um cruzeiro de observação de baleias e golfinhos a partir da Horta percorre águas semelhantes às do passeio de ontem no Pico, mas a partir do lado do Faial do canal, ou um passeio de meio dia pelo Faial é uma forma mais tranquila de ver o resto da ilha — miradouros costeiros e aldeias que não teve tempo de visitar — antes de seguir para o aeroporto.

Consoante a época, há voos diretos que ligam a Horta de volta a Lisboa ou a Ponta Delgada para ligações seguintes; confirme qual se aplica às suas datas, já que a ligação direta Pico-Faial ao continente não está garantida durante todo o ano.

Onde ficar hospedado

NoitesBasePorquê
1–3Madalena, PicoA vila mais próxima da casa da montanha e da região vinhateira
4–5Horta, FaialA pé da marina, do terminal do ferry e do Peter Café Sport

Panorama de orçamento para este roteiro

ItemCusto aproximado
Subida à Montanha do Pico (até à cratera)15 EUR, mais um depósito reembolsável ou taxa de dispensa do GPS
Passeio de barco de observação de baleiasPreço médio por pessoa, varia consoante o operador e a época
Ferry, Madalena–Horta (passageiro a pé)Custo baixo, várias saídas diárias
Aluguer de carro, por ilhaReservado separadamente para o Pico e para o Faial

Encare todos os valores como a ordem de grandeza para planear, não como um preço fixo — os operadores e a casa da montanha ajustam as tarifas de época para época.

Perguntas frequentes sobre o roteiro Pico e Faial

Consigo fazer Pico e Faial em menos de 5 dias?

Pode comprimir-se para 3-4 dias, retirando a caminhada pelo país do vinho ou uma das duas saídas de observação de baleias, mas a subida à Montanha do Pico e o seu calendário dependente do tempo são a razão pela qual a maioria dos visitantes prefere incluir um dia de reserva em vez de encurtar a viagem.

Preciso de reservar a subida ao Pico antes de chegar?

Sim. O registo e a entrega de um dispositivo GPS são obrigatórios na Casa da Montanha, as vagas são limitadas por dia, e aparecer sem reserva num dia que se presumia livre é a forma mais comum de este roteiro correr mal.

Como funciona o ferry entre a Madalena e a Horta?

A Atlânticoline opera a travessia Madalena-Horta durante todo o ano, várias vezes por dia, em cerca de vinte minutos; é a ligação inter-ilhas mais fiável dos Açores, ao contrário das rotas para os grupos central e ocidental mais alargados, que são muito mais sazonais.

Vou ver baleias de certeza nesta viagem?

Nenhum avistamento é garantido em nenhuma saída específica, embora os operadores reportem taxas de sucesso elevadas ao longo de uma época. Os cachalotes e os golfinhos são residentes junto ao Pico e ao Faial durante grande parte do ano; as grandes baleias migratórias passam sobretudo na primavera, por isso uma viagem de verão é, na prática, uma viagem de golfinhos e cachalotes, não uma época de rorquais.

Preciso de um carro alugado ou de dois para este roteiro?

Geralmente dois — os aluguéres de carro no Pico e no Faial são acordos separados, já que nenhuma empresa cobre as duas ilhas, e a travessia de ferry costuma ser feita como passageiro a pé, com um novo aluguer do outro lado.

Qual é a parte fisicamente mais difícil deste roteiro?

A subida à Montanha do Pico, por larga margem — quatro a seis horas em terreno vulcânico solto e sem sombra, mais tempo se continuar até ao cone do cume, o Piquinho. Todo o resto deste roteiro é, no máximo, caminhada moderada.

Vale a pena o desvio aos Capelinhos no Faial?

Sim — é um dos poucos lugares no mundo onde se pode caminhar sobre terreno que não existia antes de uma erupção nos anos 1950, com um farol ainda meio soterrado em cinzas como marca visível de quanta terra nova o vulcão acrescentou.

O registo e a entrega de um dispositivo GPS são obrigatórios na Casa da Montanha, as vagas são limitadas por dia, e aparecer sem reserva num dia que se presumia livre é a forma mais comum de este roteiro correr mal.”

  • question: “Como funciona o ferry entre a Madalena e a Horta?” answer: “A Atlânticoline opera a travessia Madalena-Horta durante todo o ano, várias vezes por dia, em cerca de vinte minutos; é a ligação inter-ilhas mais fiável dos Açores, ao contrário das rotas para os grupos central e ocidental mais alargados, que são muito mais sazonais.”
  • question: “Vou ver baleias de certeza nesta viagem?” answer: “Nenhum avistamento é garantido em nenhuma saída específica, embora os operadores reportem taxas de sucesso elevadas ao longo de uma época.

Os cachalotes e os golfinhos são residentes junto ao Pico e ao Faial durante grande parte do ano; as grandes baleias migratórias passam sobretudo na primavera, por isso uma viagem de verão é, na prática, uma viagem de golfinhos e cachalotes, não uma época de rorquais.”

  • question: “Preciso de um carro alugado ou de dois para este roteiro?” answer: “Geralmente dois — os aluguéres de carro no Pico e no Faial são acordos separados, já que nenhuma empresa cobre as duas ilhas, e a travessia de ferry costuma ser feita como passageiro a pé, com um novo aluguer do outro lado.”
  • question: “Qual é a parte fisicamente mais difícil deste roteiro?” answer: “A subida à Montanha do Pico, por larga margem — quatro a seis horas em terreno vulcânico solto e sem sombra, mais tempo se continuar até ao cone do cume, o Piquinho.

Todo o resto deste roteiro é, no máximo, caminhada moderada.”

  • question: “Vale a pena o desvio aos Capelinhos no Faial?” answer: “Sim — é um dos poucos lugares no mundo onde se pode caminhar sobre terreno que não existia antes de uma erupção nos anos 1950, com um farol ainda meio soterrado em cinzas como marca visível de quanta terra nova o vulcão acrescentou.”

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