Mergulho nos Açores
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Mergulho nos Açores

Resposta rápida

O mergulho nos Açores é bom para principiantes, e onde devem os mergulhadores instalar-se?

Os Açores funcionam bem para mergulhos de iniciação perto da costa em Faial e no Pico, mas os locais emblemáticos do arquipélago são montanhas submarinas ao largo, só para mergulhadores experientes. Faial e Pico formam o principal centro de mergulho graças ao ferry diário entre as duas ilhas, com Santa Maria como forte segunda base para a época das mantas e a Terceira a oferecer mergulho em paredões e junto a grutas perto de Angra do Heroísmo.

Nove ilhas vulcânicas assentes numa crista intermédia do Atlântico dão aos Açores um tipo de mergulho que pouco tem a ver com umas férias de recife tropical. Aqui não há jardim de coral em águas quentes e paradas — em vez disso, há paredões de basalto, tubos de lava colapsados, montanhas submarinas que se erguem de águas profundas, e uma lista de espécies construída em torno de pelágicos de passagem no Atlântico aberto, e não de peixes instalados num recife pouco profundo.

Este guia aborda o mergulho no arquipélago como um todo: o terreno subaquático, as três ilhas que funcionam como verdadeiras bases de mergulho, o que aparece na água consoante a época, e os números práticos — temperatura da água, proteção térmica, condição física — que qualquer mergulhador certificado precisa antes de decidir para onde voar.

Porque É Que o Mergulho nos Açores É Diferente de uma Viagem Tropical

Os Açores situam-se na fronteira de três placas tectónicas, e cada ilha é a ponta visível de um vulcão que se ergue de um fundo oceânico a vários milhares de metros de profundidade. Essa geologia reflete-se diretamente no mergulho. Em vez de um recife de coral costeiro, os locais de mergulho são construídos em basalto: paredões verticais, arcos, passagens formadas por antigos fluxos de lava, e montanhas submarinas isoladas que rompem a superfície da água a poucos quilómetros da costa. Como não há plataforma continental a travar o processo, a água profunda começa perto da costa, o que explica precisamente porque é que o arquipélago atrai espécies pelágicas que o mergulho de recife tropical raramente oferece num mergulho comum.

O contraponto é uma temperatura e uma visibilidade que variam com o tempo em vez de se manterem quentes e claras de forma constante. Trata-se de mergulho atlântico com um cenário vulcânico, não de uma laguna tropical pouco profunda, e recompensa mergulhadores que chegam com expectativas realistas e a proteção térmica certa, em vez de uma mentalidade de fato de banho e barbatanas.

Escolher uma Base: Faial, Pico ou Santa Maria

Três ilhas concentram praticamente todo o mergulho certificado do arquipélago. Cada uma tem uma personalidade diferente, e a escolha certa depende daquilo em torno do qual a viagem é realmente construída.

BaseIdeal paraComo lá chegarEstilo de mergulho típico
Faial (Horta)Centro logístico, acesso fácil aos locais de mergulho do Pico, saídas de barco mais ao largoVoos diretos para o Faial, ou o ferry Pico–FaialMergulhos de barco, algumas entradas pela costa perto da Horta
Pico (Madalena, Lajes do Pico)Centros de mergulho com história baleeira, acesso às mesmas águas do grupo central que o FaialVoos diretos para o Pico, ou o ferry a partir do FaialMergulhos de barco a partir da Madalena e das Lajes do Pico
Santa Maria (Vila do Porto)Época das mantas, água mais quente do que nos grupos central e ocidentalVoos diretos para Santa MariaMergulhos de barco, encontros pelágicos sazonais

Faial e Pico funcionam, na prática, como uma única região de mergulho, já que a travessia de ferry entre a Horta e a Madalena demora cerca de meia hora e opera várias vezes por dia, durante todo o ano — uma das poucas ligações interilhas do arquipélago suficientemente fiável para planear uma viagem sem precisar de uma data alternativa. Um mergulhador pode dormir numa das ilhas e mergulhar a partir de ambas sem perder dias com logística, o que já não acontece com a rede mais alargada do grupo central para lá deste par, nem com as travessias mais frágeis do grupo ocidental até às Flores e ao Corvo.

Santa Maria, a ilha mais a sul e geologicamente mais antiga, situa-se ligeiramente à parte deste centro logístico. Vale a pena uma viagem dedicada na sua própria época de mergulho, em vez de uma excursão paralela a partir do centro do arquipélago, e a sua posição traz água ligeiramente mais quente e uma reputação mais forte em avistamentos de mantas no verão.

Faial e Pico: O Centro de Mergulho do Grupo Central

Os centros de mergulho de ambos os lados do canal enviam barcos para o mesmo trecho de água, pelo que a escolha entre ficar no Faial ou no Pico acaba muitas vezes por depender do alojamento e das ligações de voo, mais do que de qual das ilhas tem melhor mergulho.

A marina da Horta é a base mais bem preparada para mergulhadores visitantes, com a sua longa tradição como escala para navegadores atlânticos, enquanto Lajes do Pico mantém a identidade mais antiga de um porto baleeiro — o mesmo porto que outrora lançava barcos atrás de cachalotes envia agora barcos para os observar e mergulhar à sua volta, a uma distância respeitosa.

Os locais nesta zona combinam paredões vulcânicos perto da costa com curtas saídas de barco até ilhéus e montanhas submarinas mais rasas. A visibilidade é geralmente melhor do que na água rica em plâncton do verão mais a sul, ainda que nunca atinja os extremos tropicais que alguns mergulhadores esperam — 15 a 25 metros é um intervalo realista, consoante as condições.

Esta é também a base mais usada pelos mergulhadores como passo prévio até ao local mais conhecido e mais exigente do arquipélago, uma montanha submarina isolada reservada a mergulhadores experientes e abordada em detalhe no guia de mergulho na Princess Alice Bank, e não aqui, uma vez que não é um mergulho para tentar como introdução às águas dos Açores.

Para um plano completo de ilhas que combine ambas as bases com o resto do grupo central, o itinerário Pico e Faial em 5 dias organiza os dias de mergulho em torno do horário do ferry e das outras atrações da região — vinho, observação de baleias e a subida à Montanha do Pico entre elas.

Santa Maria: Mantas e a Água Mais Quente do Arquipélago

Santa Maria situa-se mais a sul e a leste do que o resto do arquipélago, e isso nota-se na água: temperaturas ligeiramente mais quentes do que no Faial, no Pico ou na Terceira, e a reputação de ser o local mais fiável dos Açores para encontrar mantas reunidas em número durante os meses de verão. Os barcos de mergulho partem de Vila do Porto, a única vila da ilha, e o mergulho por aqui tende para encontros em águas abertas com cardumes de mantas e a possibilidade de um tubarão-frade de passagem, em vez do terreno de paredões e grutas que define o grupo central.

É também a ilha geologicamente mais antiga dos Açores, e a sua posição mais afastada do centro vulcânico do arquipélago traduz-se, em certos pontos, numa paisagem subaquática mais suave — zonas de areia e relevo mais baixo a par da estrutura vulcânica encontrada em todo o lado. Uma viagem construída especificamente em torno da época das mantas trata Santa Maria como base principal e não como um extra, já que os voos e os horários dos barcos de mergulho aqui funcionam de forma independente do centro logístico Faial–Pico.

Terceira: Mergulho em Paredão Junto a um Centro Histórico Classificado pela UNESCO

A Terceira oferece uma combinação diferente: mergulho certificado ao lado de um dos pontos altos culturais do arquipélago, o centro histórico de Angra do Heroísmo, classificado pela UNESCO. Os locais de mergulho aqui percorrem paredões e quedas de basalto perto da costa, com saídas de barco de duplo mergulho como forma habitual de ver dois perfis diferentes numa única excursão. Convém a quem procura uma viagem mais curta e autocontida — cidade, costa e mergulho numa só ilha — em vez do périplo entre várias ilhas que um itinerário Faial–Pico–Santa Maria exige.

O Que Aparece Debaixo de Água, Por Época

A vida marinha nas águas açorianas divide-se de forma bastante clara entre residentes vistos junto ao recife durante todo o ano e visitantes sazonais de passagem pelo Atlântico aberto.

EspécieÉpocaNotas
Residentes de recife (moreias, garoupas, donzelas, barracudas)Todo o anoVistas na maioria dos mergulhos junto a Faial, Pico e Terceira
MantasAproximadamente de junho a setembroMelhores probabilidades ao largo de Santa Maria e do sul do Pico
Tubarões-fradeOcasional, passagem primavera-verãoNão garantidos em nenhuma viagem específica
Espécies de terreno vulcânico (nudibrânquios, crustáceos em fendas de lava)Todo o anoConcentradas em torno de paredões e passagens
Pelágicos junto a montanhas submarinas ao largoMeses mais quentes, dependente da correnteLocais só para mergulhadores experientes

Nada disto é uma promessa. Os avistamentos dependem das condições do mar, da época e de uma boa dose de sorte, e nenhum centro de mergulho nos Açores pode garantir um encontro com uma determinada espécie num dado dia — a mesma honestidade que se aplica à observação de vida selvagem à superfície no arquipélago, abordada em separado no guia de observação de baleias, para quem quer ver cetáceos a partir de um barco em vez de debaixo de água com garrafas às costas. Encontros subaquáticos com baleias ou golfinhos não fazem parte de um mergulho recreativo normal por aqui; são uma atividade de superfície por direito próprio.

Temperatura da Água e O Que Vestir

Este é o pormenor que apanha desprevenidos os mergulhadores que chegam com uma mentalidade tropical. Os Açores situam-se no Atlântico aberto, ligeiramente aquecidos pela Corrente do Golfo, mas nunca se aproximando das condições de banheira das Caraíbas ou do Mar Vermelho.

Intervalo de mesesTemperatura aproximada da águaProteção térmica típica
Dezembro–MarçoMeados dos anos dez °CFato de 7mm ou fato seco
Abril–JunhoEntre meados e final dos anos dez °CFato de 6–7mm
Julho–SetembroVinte a vinte e poucos °CFato de 5mm, alguns mergulhadores usam 7mm
Outubro–NovembroFinal dos anos dez a vinte e poucos °CFato de 6–7mm

Mesmo no ponto mais quente do ano, a maioria dos centros de mergulho locais recomenda pelo menos um fato de 5mm, e muitos mergulhadores que fazem vários mergulhos por dia ou mergulham em locais mais profundos optam por um fato de 7mm ou um fato seco, independentemente do mês. Alugar equipamento localmente é simples em qualquer centro de mergulho no Faial, no Pico, em Santa Maria e na Terceira, mas um mergulhador habituado a proteção térmica tropical deve planear alugar um fato adequado a águas frias em vez de trazer um fato curto de 3mm — não será suficiente.

Condição Física, Experiência e O Que É Realista

Como a água profunda começa perto da costa e vários locais emblemáticos são montanhas submarinas ao largo, expostas à ondulação e à corrente do Atlântico, o mergulho nos Açores exige geralmente mais de um visitante do que um recife tropical abrigado. As travessias de barco podem ser agitadas, as entradas e saídas acontecem por vezes com ressaca, e os locais mais conhecidos são varridos por corrente por natureza — é precisamente isso que atrai a vida pelágica que traz os mergulhadores até aqui. Uma autoavaliação realista antes de reservar: à vontade em águas abertas com visibilidade limitada, confiante na flutuabilidade em corrente, e em boa forma física para uma saída de barco e uma entrada potencialmente exigente.

Dito isto, os mergulhos abrigados perto da Horta, da Madalena e de Vila do Porto convêm a mergulhadores recém-certificados e até a principiantes totais numa sessão de iniciação supervisionada, pelo que o arquipélago não é exclusivo para mergulhadores avançados — simplesmente mantém os seus locais mais difíceis claramente separados dos mais fáceis, e qualquer centro de mergulho competente encaminha os visitantes para o local certo consoante o seu nível.

Como Chegar e Como Circular Entre as Bases de Mergulho

Há voos que ligam Faial, Pico, Terceira e Santa Maria a Ponta Delgada e, sazonalmente, a Portugal continental — pormenores que vale a pena confirmar com os horários atuais no guia de ferries entre ilhas e um olhar mais amplo sobre as opções de voo no guia sobre a melhor época para visitar os Açores.

Já em terra, um carro alugado cobre tudo o que um mergulhador precisa para além do próprio barco — os centros de mergulho ficam quase sempre a uma curta distância de carro do aeroporto ou do terminal do ferry, e um carro conta mais para o resto da viagem (as vinhas do Pico, o vulcão dos Capelinhos no Faial, o centro histórico da Terceira) do que para o mergulho em si. O guia de aluguer de carro cobre a reserva antecipada, algo que importa nos meses de pico de verão, quando tanto os carros como as vagas nos centros de mergulho se esgotam.

Reservar Mergulho nos Açores

A maioria dos mergulhadores visitantes começa com um único mergulho guiado ou um curso curto antes de se comprometer com um plano de vários dias, e reservar um lugar com antecedência durante julho e agosto compensa, em vez de contar com uma vaga disponível sem marcação.

Uma primeira experiência de mergulho nos Açores é o ponto de entrada habitual para quem não tem certificação e quer uma primeira experiência supervisionada nestas águas, enquanto um mergulhador certificado pode reservar diretamente uma sessão de mergulho guiado ajustada ao seu nível. Na Terceira, o duplo mergulho em Angra do Heroísmo é a forma local de ver dois perfis de paredão diferentes numa única saída de barco, numa só manhã.

Os dias sem mergulho à volta de uma viagem deste tipo são fáceis de preencher sem repetir a mesma costa: um tour guiado ao Pico cobre a paisagem vulcânica e as vinhas à superfície, uma combinação útil como dia de descanso entre dias de mergulho, que evita que a viagem seja inteiramente aquática.

O snorkeling é uma logística completamente diferente e é abordado em separado no guia de snorkeling nos Açores, dirigido a visitantes sem certificação que ainda assim querem entrar na água. Para um olhar mais amplo sobre opções à base de barco além do mergulho — barcos de observação de baleias, cruzeiros ao pôr do sol, veleiros fretados — o guia de passeios de barco nos Açores reúne essas opções num só lugar.

Perguntas Frequentes Sobre Mergulho nos Açores

O mergulho nos Açores é adequado para principiantes?

Sim, para mergulhos a partir da costa ou saídas de barco curtas junto a Horta, Madalena ou Vila do Porto, onde os centros de mergulho realizam sessões de iniciação e de águas abertas em terreno vulcânico abrigado. Já as célebres montanhas submarinas e paredões ao largo do arquipélago são outra questão — reservados a mergulhadores com experiência real em águas abertas, boa flutuabilidade e à vontade em correntes.

Qual é a temperatura da água para mergulhar nos Açores?

As temperaturas do mar variam aproximadamente entre os meados dos anos dez em graus Celsius no fim do inverno e os vinte e poucos graus em setembro, o mês mais quente. Mesmo no verão a maioria dos centros de mergulho recomenda pelo menos um fato de 5mm, sendo comum um fato de 7mm ou um fato seco no inverno ou em mergulhos mais longos em profundidade.

Qual é a melhor ilha dos Açores para mergulhar?

Faial e Pico juntam-se como a base mais prática, ligadas por um ferry curto e frequente e perto tanto de baías abrigadas como de recifes ao largo. Santa Maria é a escolha para a época das mantas, e a Terceira convém a quem quer combinar mergulho com o centro histórico classificado pela UNESCO em Angra do Heroísmo.

É preciso ser mergulhador certificado para mergulhar nos Açores?

É necessária uma certificação de águas abertas para a maioria dos mergulhos de barco e para qualquer mergulho abaixo de uma profundidade de iniciação. Os visitantes sem certificação ainda podem entrar na água numa sessão de batismo supervisionada em baías protegidas, mas os melhores locais do arquipélago são pensados para mergulho certificado, não para uma experiência turística de iniciação.

Que vida marinha se pode ver a mergulhar nos Açores?

Espere vida de recife vulcânico durante todo o ano — moreias, garoupas, donzelas e barracudas em cardume — mais visitantes sazonais: mantas a reunir-se ao largo de Santa Maria e do Pico no verão, tubarões-frade ocasionais de passagem, e a possibilidade de espécies pelágicas junto às montanhas submarinas. Baleias e golfinhos são um encontro de superfície, vistos a partir do barco e não debaixo de água com os mergulhadores.

Qual é a melhor época para mergulhar nos Açores?

De finais de junho a setembro há mares mais calmos, água mais quente e melhores probabilidades de mantas e de espécies pelágicas de passagem, sendo também a época em que a maioria dos centros de mergulho funciona a pleno. O mergulho continua fora desta janela para quem estiver preparado para água mais fria e travessias mais agitadas, mas o planeamento da viagem torna-se visivelmente mais difícil de novembro a março.

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