Onde Encontrei Mesmo as Hortênsias dos Açores
Tinha lido, antes mesmo de aterrar, que o Faial era chamado de Ilha Azul por causa das suas hortênsias. Imaginei um jardim espetacular, talvez um parque, algo com um portão e uma bilheteira. O que encontrei em vez disso, ao sair da Horta em direção à Caldeira pela primeira vez, foi uma sebe. Apenas uma sebe, a correr ao longo dos dois lados da estrada, azul-violeta e tão densa que abrandei o carro sem querer. E continuava. E continuava. Quando cheguei ao desvio para a costa ocidental do Faial, perto dos Capelinhos, já tinha deixado de contar onde acabava uma sebe e começava a seguinte.
É isso que ninguém explica bem: a alcunha faz parecer que se trata de um único ponto de interesse, quando na verdade é uma condição de toda a ilha na época certa. E depois, alguns dias mais tarde em São Miguel, encontrei o mesmo fenómeno numa estrada que não tem alcunha nenhuma.
A estrada que deu o nome ao Faial
O troço que sai da Horta e sobe em direção à Caldeira é o mais fotografado, e com razão. As sebes aqui são antigas, densas na base, claramente não aparadas há anos, e correm tão perto do alcatrão que, numa manhã de nevoeiro, a cor é quase tudo o que se vê através da neblina. Recomendo fazer este percurso devagar e, se possível, a pé em pelo menos um troço — um passeio guiado pelos trilhos do Faial levou-me por um caminho agrícola paralelo à estrada principal, onde as sebes eram ainda mais densas, a crescer sobre antigos muros de pedra de campo que nada tinham a ver com turismo.
Continue para lá do desvio para a Caldeira e siga em direção aos Capelinhos, e as hortênsias acompanham o percurso quase até ao fim. Parei perto de um miradouro sobre o campo de lava de 1957, e o contraste ficou-me na memória: encostas cinzentas cobertas de cinza de um lado da estrada, uma parede de flores azuis do outro, como se duas ilhas completamente diferentes tivessem sido dobradas uma sobre a outra.
A versão mais discreta de São Miguel
Não esperava encontrar nada comparável fora do Faial, por isso a estrada entre a Ribeira Grande e o Nordeste, na costa norte de São Miguel, apanhou-me de surpresa. É um percurso mais longo e mais sinuoso do que qualquer coisa no Faial, talhado em pastagens sobre falésias com o Atlântico visível durante longos trechos, e as sebes de hortênsias aqui são igualmente contínuas. Ninguém chama a São Miguel a ilha azul. Não é preciso — as flores não sabem que essa era suposta ser a marca do Faial.
Fiz parte desta costa numa excursão de dia inteiro de 4x4 pela costa do Nordeste, que parou em vários miradouros por onde eu teria passado direto sozinho, cada um emoldurado pelas mesmas sebes à beira da estrada. Se estiver baseado à volta de São Miguel e só tiver tempo para um passeio de hortênsias, é este que recomendo antes do Faial, simplesmente porque acumula a função de ser também uma das melhores estradas costeiras da ilha, independentemente da época.
Há também um desvio mais curto e mais verde que vale a pena conhecer: uma caminhada em direção à Lagoa do Fogo, que sobe por terrenos de pastagem onde as hortênsias crescem como cercas informais entre campos, bem longe de qualquer estrada. Fiz isto com uma caminhada guiada até à Lagoa do Fogo, e aqui as flores pareceram-me mais incidentais, mais como algo que a paisagem tinha produzido por conta própria do que algo plantado a pensar numa vista.
Os muros das vinhas do Pico, que ninguém menciona
Das três, o Pico foi a que mais me surpreendeu, porque nada na sua reputação me preparou para isto. A ilha é conhecida pelo vinho e pela montanha, não pelas flores. Mas percorra a região vinícola à volta da Madalena e da Criação Velha, onde os currais — aquelas pequenas parcelas retangulares muradas em pedra de lava negra — protegem as vinhas do salitre e do vento, e vai encontrar hortênsias a crescer ao longo das margens exteriores dos mesmos muros.
O efeito é mais estranho e, diria eu, mais bonito do que qualquer coisa no Faial: pedra vulcânica negra, folhas de vinha verdes, e uma linha de flores azul-violeta a traçar o limite de cada parcela, até bem perto do mar.
Perguntei a um trabalhador de uma vinha perto da Criação Velha se as hortênsias tinham sido plantadas deliberadamente, e a resposta foi mais prática do que romântica. Foram colocadas, gerações atrás, como sebes vivas — uma forma de marcar onde acabavam os currais de uma família e começavam os da seguinte, já que a pedra sozinha nem sempre tornava isso óbvio à distância. É a mesma razão pela qual ladeiam tantas estradas por todo o arquipélago: não por decoração, na origem, mas por marcação de limites que por acaso acabou por ficar extraordinária depois de as plantas vingarem.
Se quiser perceber melhor o lado vinícola daquilo que está a ver, os muros em si estão explicados no guia das vinhas do Pico, e a ilha combina naturalmente com o Faial numa viagem curta — fiz as duas juntas, e a travessia de ferry entre elas está descrita no itinerário Pico e Faial, caso esteja a planear o mesmo.
O erro contra o qual o alertaria
Se só ler uma coisa sobre as hortênsias açorianas antes de chegar, é provavelmente que a reputação do Faial é real, mas não exclusiva. Seria fácil construir toda uma viagem à volta da ideia de que as flores vivem numa só ilha, reservar uma única tarde para elas, e não perceber que São Miguel e o Pico têm tanta cor nas suas próprias estradas secundárias — simplesmente sem uma alcunha associada. Também gostaria de contrariar suavemente a ideia de que um carro alugado é opcional aqui.
As melhores sebes, nas três ilhas, ficam entre povoações e não dentro delas, e nunca vi nenhuma a partir da janela de um autocarro. Conduzir nos Açores tem as suas próprias particularidades que vale a pena conhecer antes de partir, sobre as quais escrevi em separado, mas, especificamente para a procura de hortênsias: escolha a estrada costeira lenta, não a estrada rápida do interior, seja qual for a ilha em que esteja.
Nada disto responde à questão de exatamente quando ir — isso depende da altitude e da semana específica do verão, e já detalhei essa questão do calendário noutro lugar, em vez de a repetir aqui. O que lhe posso dizer é que, uma vez nos Açores na época certa, as flores vão encontrá-lo quase independentemente da ilha que escolher. O Faial é apenas quem faz o melhor postal.
Perguntas que me fazem sobre a procura de hortênsias nos Açores
O Faial é mesmo a melhor ilha para ver hortênsias?
É a mais fotografada, não necessariamente a melhor. O Faial ganhou a alcunha graças a sebes verdadeiramente densas ao longo das estradas, mas São Miguel e o Pico têm trechos comparáveis que simplesmente nunca ganharam um nome de marketing.
Qual é a estrada do Faial com mais hortênsias?
O troço que sai da Horta em direção à Caldeira e depois segue para os Capelinhos é o clássico, com sebes que correm quase sem interrupção ao longo do alcatrão em longos trechos.
Também se veem hortênsias em São Miguel?
Sim. A estrada entre a Ribeira Grande e o Nordeste, na costa norte, está ladeada por elas ao longo de quilómetros inteiros, e recebe uma fração da atenção que o Faial tem.
Os muros das vinhas do Pico estão mesmo cheios de hortênsias?
Perto da Madalena e da Criação Velha, muitos dos currais de pedra vulcânica negra que abrigam as vinhas têm hortênsias a crescer ao longo das suas margens exteriores, plantadas originalmente como marcadores informais de limite, e não por decoração.
Preciso de um carro alugado para as ver?
Para as exibições ao longo da estrada, sim — as melhores sebes ficam entre as povoações, não dentro delas, e não há autocarro que pare para tirar uma fotografia. Um passeio guiado a pé ou de 4x4 cobre parte do mesmo terreno sem ter de conduzir.
As hortênsias são selvagens ou plantadas?
Plantadas, originalmente, embora já há muito tenham assilvestrado em alguns locais. Foram introduzidas no século XIX como sebes vivas para marcar limites de campos e cortar o vento, razão pela qual ainda hoje traçam as margens de estradas e pastagens.
Posso combinar a procura de hortênsias com uma caminhada ou um passeio de barco?
Facilmente. Uma caminhada em direção à Lagoa do Fogo em São Miguel ou um passeio pelos trilhos do Faial vão colocá-lo junto a sebes sem qualquer planeamento extra, e um dia na água à procura de baleias deixa a tarde livre para um passeio de carro.
Quando devo ir se quiser vê-las no seu melhor?
Isso é mais uma questão de datas e de altitude do que de local, e já escrevi sobre esse calendário em separado — este texto é sobre para onde apontar o carro quando já está aqui na época certa.
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