Trilhos de caminhada nas Flores: cascatas, trilhos e a Rocha dos Bordões
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Trilhos de caminhada nas Flores: cascatas, trilhos e a Rocha dos Bordões

Resposta rápida

Quais são os melhores trilhos de caminhada nas Flores, nos Açores?

Os três trilhos que todos os visitantes planeiam são o pequeno circuito junto às cascatas do Poço da Ribeira do Ferreiro, a travessia costeira entre a Fajã Grande e a Fajãzinha, e o caminho até às colunas basálticas da Rocha dos Bordões. São trilhos, não levadas ao estilo da Madeira, e o piso está molhado durante grande parte do ano, pelo que o calçado importa tanto quanto a distância.

Caminhar na ilha das Flores: o que os trilhos realmente exigem

As Flores fazem justiça ao seu nome, e os seus trilhos estão construídos à volta daquilo que torna a ilha verde: água que desce de um interior alto e cheio de crateras, caindo direta por arribas basálticas até ao mar. Cada percurso descrito aqui é um trilho — um caminho pedestre assinalado, por vezes um troço de antiga calçada de gado, por vezes rocha vulcânica nua — nunca uma levada.

Essa distinção importa mais do que parece: as levadas são os canais de irrigação da Madeira, um arquipélago português diferente, com uma história vulcânica diferente e uma cultura de caminhada construída à volta de caminhos planos e contornados junto a canais de água. As Flores não têm canais para acompanhar a pé. Os seus trilhos sobem, descem, contornam bordos de arriba e atravessam pastagens, respondendo diretamente ao terreno em vez de a um declive projetado.

Este guia cobre três trilhos específicos: o circuito à volta das cascatas do Poço da Ribeira do Ferreiro, a travessia costeira entre a Fajã Grande e a Fajãzinha, e o caminho até às colunas basálticas da Rocha dos Bordões.

Se ainda estiver a decidir se as Flores são a ilha certa para a sua viagem, a comparação mais ampla, a nível de todo o arquipélago, está em melhores trilhos nos Açores, e a terminologia de dificuldade usada ao longo desta página — fácil, moderado, e por aí adiante — está explicada em pormenor em classificação dos trilhos açorianos explicada. Esta página parte do princípio de que já escolheu as Flores e está agora a planear que caminhos percorrer em que dia.

O circuito do Poço da Ribeira do Ferreiro

Este é o trilho que a maioria dos visitantes faz primeiro, e com boa razão: entrega a imagem de referência das Flores, uma parede de anfiteatro verde riscada por várias cascatas que alimentam uma sucessão de poços, sem exigir um dia inteiro. O circuito tem cerca de 3 a 4 km, dependendo de quantos ramais laterais e miradouros se percorrem, e a maioria das pessoas termina confortavelmente em 1,5 a 2,5 horas, incluindo paragens.

O caminho parte de um pequeno parque de estacionamento, alcançado por uma estrada pavimentada mas estreita, no interior a partir da Fajã Grande, e desce gradualmente em direção ao fundo do anfiteatro antes de voltar a subir em circuito. A superfície alterna entre terra batida, degraus de pedra e curtos troços de passadiço, e cada um deles fica escorregadio poucos minutos depois de chover — o que, nas Flores, pode acontecer sem grande aviso. O borrifo das próprias cascatas mantém molhadas as rochas mais próximas dos poços mesmo em dias secos, pelo que a aproximação final à água merece o mesmo cuidado que um trilho genuinamente chuvoso.

Nadar nos poços é uma recompensa popular no final do circuito, mas a água está fria durante todo o ano e a rocha sob os pés é irregular, por isso entre devagar em vez de saltar. Se preferir deixar a logística a cargo de outra pessoa e juntar uma paragem para nadar com um pouco de contexto local, a opção guiada abaixo cobre exatamente esta área.

uma caminhada guiada que combina o circuito das cascatas com um banho e uma paragem no planalto alto das Flores

Leve uma muda de roupa se pretender entrar na água, e tenha em conta a subida de regresso — é curta mas constante, e é o ponto do circuito onde as botas molhadas e as pernas cansadas encontram os degraus mais íngremes.

A travessia da Fajã Grande à Fajãzinha

O segundo trilho essencial liga as duas aldeias mais conhecidas do lado ocidental das Flores, seguindo a costa em vez da estrada. Tem cerca de 5 a 6 km só de ida, acompanhando pastagens no topo das arribas e descendo ocasionalmente até junto ao mar, com vistas para trás sobre a enseada de areia negra da Fajã Grande e, à frente, sobre a torre da igreja da Fajãzinha. O tempo de marcha é tipicamente de 2 a 3 horas em cada sentido, a um ritmo moderado, mais se o piso estiver mole.

A maioria dos visitantes trata este percurso como ida e volta, o que o transforma numa saída de meio dia, entre 4 e 6 horas no total. Se preferir percorrê-lo apenas num sentido, combine transporte com antecedência na outra ponta — o transporte público entre as duas aldeias é escasso, e as Flores são uma das ilhas onde um carro alugado ou um táxi pré-marcado mudam verdadeiramente o que é possível fazer num dia; veja aluguer de carro nos Açores e conduzir nos Açores para perceber como isso funciona numa ilha deste tamanho.

O terreno ao longo deste troço é mais exposto do que o do circuito das cascatas: pastagem aberta com pouca sombra, secções junto a bordos de arriba sem vedação, e cancelas ou portões entre campos onde pasta gado. Nada disto é tecnicamente difícil, mas uma superfície escorregadia depois de chover muda depressa o carácter dos troços junto à arriba, o que é a principal razão para consultar a previsão para a hora específica em que pretende caminhar, e não a perspetiva geral do dia.

Para uma noção mais ampla de como isto se compara com os trilhos de fajãs de São Jorge, que parecem superficialmente semelhantes num mapa mas assentam num tipo de litoral muito diferente, veja trilhos das fajãs de São Jorge e a comparação direta em Flores vs São Jorge.

Chegar à Rocha dos Bordões

A Rocha dos Bordões é o elemento geológico mais fotografado das Flores: uma parede de colunas basálticas quase verticais e fortemente comprimidas, erguendo-se de uma encosta verde, visível a partir de um miradouro junto à estrada sem necessidade de qualquer caminhada. O que a transforma num item de trilho é o pequeno percurso que sobe acima do miradouro principal até um ponto de vista mais elevado sobre as colunas e o vale além delas.

Esse troço superior é íngreme, estreito em alguns pontos e — como tudo o resto nesta ilha — frequentemente molhado. Não é longo, geralmente menos de uma hora de ida e volta a partir do local de paragem junto à estrada, mas o piso merece respeito: gravilha solta sobre rocha vulcânica não perdoa um passo apressado. Muitos visitantes ficam satisfeitos apenas com o miradouro inferior e dispensam a subida, sobretudo depois de chuva, e essa é uma decisão razoável, não um destaque perdido — as colunas leem-se claramente a partir de baixo.

Não é necessário guia para este trilho, e ele combina-se naturalmente com um circuito de meio dia pelo sul da ilha, que vários dos operadores abaixo incorporam diretamente num itinerário de condução e caminhada.

uma excursão guiada de dia inteiro pelas Flores com um guia local, cobrindo os principais miradouros e trilhos da ilha

Por que o piso está molhado mais vezes do que se espera

As Flores devem a sua densidade de cascatas a um clima genuinamente chuvoso, e todos os trilhos desta página atravessam terreno moldado por essa água: transbordo de lagoas de cratera, infiltração nas arribas e a zona de borrifo em torno das próprias cascatas. Daqui decorrem duas consequências práticas.

Primeira: calçado impermeável não é equipamento opcional aqui, como poderia ser numa ilha açoriana mais seca. Botas com boa sola e apoio de tornozelo lidam muito melhor com a mistura de terra batida, rocha molhada e degraus de pedra do que sapatilhas de trail, e um par extra de meias secas no carro vale bem o pequeno esforço de as lembrar.

Segunda: planear a caminhada com base na previsão mais matinal, e não na mais recente, compensa. O ditado açoriano de que quatro estações passam num único dia aplica-se às Flores tanto como a qualquer outro ponto do arquipélago — veja o tempo nos Açores mês a mês para perceber como isso se manifesta ao longo do ano, e os Açores no verão para o que os meses mais secos ainda não garantem. Um caminho que está firme e fácil às nove da manhã pode estar a correr água já no início da tarde, sobretudo nos troços mais íngremes perto do Poço da Ribeira do Ferreiro e acima da Rocha dos Bordões.

Comparação de trilhos num relance

TrilhoDistânciaTempo típicoDificuldadeO que o leva até lá
Circuito do Poço da Ribeira do Ferreiro3–4 km1,5–2,5 horasFácil a moderadoCascatas em vários níveis, poços para nadar
Travessia Fajã Grande – Fajãzinha5–6 km só de ida2–3 horas só de idaModeradoVistas costeiras do topo das arribas entre aldeias
Subida ao miradouro da Rocha dos BordõesMenos de 2 km ida e voltaMenos de 1 horaModerado, com troços íngremesVista elevada sobre as colunas basálticas

As distâncias e os tempos são aproximados e variam conforme quantos ramais e paragens para fotografias se acrescentam — encare-os como intervalos de planeamento, não como referências fixas.

Preparar e planear para trilhos molhados

Uma lista curta e prática cobre a maior parte do que apanha de surpresa quem caminha pela primeira vez nas Flores:

  • Botas impermeáveis com apoio de tornozelo, não sapatilhas de trail apenas resistentes à água.
  • Uma capa de chuva compacta, mesmo com um céu matinal limpo.
  • Uma camada base e meias secas deixadas no carro para a viagem de regresso.
  • Uma mala a tiracolo ou com forro impermeável, em vez de uma mochila aberta, para o equipamento fotográfico.
  • Um fato de banho, se os poços das cascatas fizerem parte do plano.
  • Dinheiro ou um telemóvel carregado para eventuais pequenas taxas de estacionamento junto aos trilhos, já que os terminais de cartão não são universais numa ilha deste tamanho.

A referência geral de preparação de mala para o arquipélago está em lista de bagagem para os Açores, mas as Flores são a ilha onde o conselho sobre impermeabilização não é uma mera formalidade.

Combinar os trilhos das Flores com o resto da ilha

Nenhum destes três trilhos ocupa um dia inteiro por si só, razão pela qual a maioria dos itinerários combina dois deles, ou um trilho com um banho, uma volta de carro por miradouros, ou uma viagem de barco até ao Corvo. Uma excursão de quad ou de van é uma forma prática de percorrer os miradouros e os pontos de partida dos trilhos da ilha sem conduzir pelas estradas secundárias mais estreitas das Flores.

uma viagem de barco às grutas marinhas e cascatas das Flores, com paragem para snorkelling

Se a sua viagem incluir as duas ilhas ocidentais, a excursão de um dia ao Corvo a partir das Flores é o complemento natural depois das caminhadas, e um enquadramento completo de vários dias para dividir o tempo entre as duas ilhas está em Flores e Corvo em 4 dias.

Para uma lista mais ampla do que mais preenche as horas fora das caminhadas na ilha, veja o que fazer nas Flores, e para onde ficar hospedado entre trilhos, Santa Cruz das Flores e a Fajã Grande são as duas aldeias junto às quais a maioria dos trilhos desta página começa ou termina.

Trilhos de caminhada nas Flores: perguntas frequentes

Os trilhos das Flores chamam-se levadas?

Não. As levadas são os canais de irrigação e os seus caminhos de manutenção na Madeira, um arquipélago português diferente, com uma geologia diferente. Nas Flores, e nos Açores em geral, os percursos pedestres assinalados chamam-se trilhos, e seguem bordos de cratera, arribas costeiras e patamares de fajã, em vez de canais de água.

Qual é o comprimento do circuito do Poço da Ribeira do Ferreiro?

O circuito à volta do anfiteatro de cascatas do Poço da Ribeira do Ferreiro tem cerca de 3 a 4 km, dependendo de quantos miradouros e ramais laterais se acrescentam, e a maioria dos caminhantes completa-o em cerca de 1,5 a 2,5 horas, a um ritmo tranquilo, com paragens para fotografias.

Consigo caminhar da Fajã Grande até à Fajãzinha num único dia?

Sim. A travessia costeira entre as duas aldeias tem cerca de 5 a 6 km só de ida, por caminhos de arriba e de pastagem, tipicamente 2 a 3 horas em cada sentido, pelo que a maioria dos visitantes ou a faz como ida e volta, ou combina um carro ou táxi numa das pontas para evitar repetir o mesmo trajeto.

É preciso um guia para ver a Rocha dos Bordões?

Não é necessário guia para o miradouro junto à estrada, com vista sobre as colunas basálticas, mas o pequeno percurso que sobe acima dele é íngreme, estreito e frequentemente escorregadio, pelo que muitos visitantes tratam esse troço final como opcional e observam a formação a partir do miradouro inferior.

O que devo vestir, dado como os trilhos ficam molhados?

Botas de caminhada impermeáveis, com bom apoio de tornozelo e boa aderência, uma capa de chuva compacta e uma muda de roupa seca para depois. O terreno junto a qualquer uma das cascatas das Flores permanece lamacento, e a rocha vulcânica sob os pés torna-se escorregadia poucos minutos depois de um aguaceiro.

As caminhadas nas Flores são adequadas para principiantes?

Em parte, sim. O circuito inferior junto ao Poço da Ribeira do Ferreiro é suave e está bem ao alcance de uma condição física média, enquanto a travessia Fajã Grande–Fajãzinha e qualquer subida em direção à Rocha dos Bordões envolvem terreno mais íngreme e exposto, mais adequado a caminhantes com alguma experiência em trilhos.

Qual a melhor altura do ano para caminhar nas Flores?

Os trilhos são percorríveis todo o ano, mas do final da primavera ao verão há mais horas de luz do dia e maior probabilidade de uma manhã seca, período que coincide com a floração das hortênsias na ilha. Seja qual for o mês, o tempo nas Flores pode mudar dentro de uma hora, por isso planeie o percurso do dia com base na previsão mais matinal, não na mais recente.

Há excursões de caminhada guiadas nas Flores?

Sim. Operadores locais organizam caminhadas guiadas de meio dia e de dia inteiro que combinam os trilhos da ilha com paragens para nadar ou miradouros no planalto alto, uma opção prática para visitantes que preferem não percorrer sozinhos os troços mais molhados e menos sinalizados.

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