Os Açores são caros? O que eu realmente gastei
Vou dizer já a verdade honesta: quando ainda estava a decidir entre reservar os Açores ou meter esse dinheiro numa semana na Madeira, todos os artigos que li davam-me um número diário — tantos euros por refeição, tantos por um quarto — e nada disso batia certo com o que acabei mesmo por gastar. Não porque os números estivessem errados, mas porque eu ainda pensava nos Açores como um único lugar, quando na verdade são nove ilhas que se comportam mais como nove pequenas viagens separadas, cosidas umas às outras.
É essa a parte que gostava que alguém me tivesse dito antes de comparar preços e clicar em “reservar”.
Comparar com a Madeira e com o continente — a pergunta errada, de certa forma
Se estiveres a fazer o que eu fiz — sentado com três separadores abertos no browser, um para os Açores, um para a Madeira e um para um itinerário genérico em Portugal — os preços no papel parecem próximos. Os três são portugueses, os três têm preços em euros, e um prato de peixe fresco ou um quarto simples para dormir custam mais ou menos o mesmo que em qualquer outro ponto do país. A esse nível, os Açores não são o destino caro fora da curva que às vezes se diz que são.
Onde a comparação se desfaz é na logística. A Madeira é uma só ilha. Aterras, alugas um carro uma vez, e conduzes o mesmo carro durante toda a viagem. Portugal continental tem uma rede real de estradas e comboios que liga tudo. Os Açores não têm nenhum desses luxos. Cada ilha é o seu próprio pequeno mercado de aluguer de carros, e ir de uma para a outra significa um voo ou um ferry — nunca uma ponte, nunca uma autoestrada.
É esse o custo que Portugal continental e a Madeira simplesmente não acrescentam ao total, e é a razão pela qual uma comparação de preços “Açores vs. Madeira”, ponto por ponto, precisa de uma nota de rodapé antes de se confiar nela. Se quiseres a versão mais completa dessa comparação, deixei-a detalhada nesta comparação entre Açores e Madeira.
A despesa do aluguer de carro que ninguém avisa
Vou ser direto sobre a armadilha em que quase caí: calcular o preço de uma semana nos Açores usando um único aluguer de carro de uma semana, como faria para a Madeira. Esse número só é verdadeiro se ficares numa só ilha durante toda a viagem.
No momento em que o itinerário acrescenta uma segunda ilha — digamos, São Miguel e depois o Pico — não estás a prolongar um aluguer. Estás a fechá-lo, a apanhar o voo ou o ferry, e a abrir um aluguer completamente novo à chegada, com o seu próprio depósito, a sua própria política de combustível, a sua própria tarifa diária.
Faz isso ao longo de três ilhas e terás, na prática, pago por três alugueres de curta duração separados em vez de um único aluguer mais longo e mais barato. Explico com mais detalhe como reservar o aluguer de carro sem duplicar taxas, e como é realmente conduzir nos Açores — estradas estreitas, nevoeiro nas subidas às crateras, a eventual vaca parada na tua faixa.
Um carro aqui não é opcional como pode ser numa grande cidade do continente. O transporte entre aldeias é escasso, e fora das vilas principais precisas de rodas próprias para chegar a qualquer lugar que interesse — isso é verdade em todas as ilhas, só que se paga uma vez por ilha em vez de uma vez por viagem.
Voos e ferries: o verdadeiro “imposto” do arquipélago
Esta é a categoria de custo que simplesmente não existe num orçamento para a Madeira ou para o continente, e é a que decide, em silêncio, se a tua viagem aos Açores parece razoável ou surpreendentemente cara.
A SATA Air Açores opera os voos inter-ilhas regulares, e a Azores Airlines trata das rotas mais longas até ao continente. A Atlânticoline opera os ferries. A boa notícia, e o único facto genuinamente amigo do orçamento em toda esta equação, é o “Triângulo” — Pico, Faial e São Jorge — ligado por ferry todo o ano, várias vezes por dia, a um preço que não desequilibra a viagem. Se o teu plano é uma rota de várias ilhas, construí-la à volta desse triângulo (ver a excursão entre Pico e Faial de ferry e os ferries entre ilhas dos Açores) é a forma mais barata de saltar entre ilhas.
Fora do Triângulo, porém, as contas mudam. A rede de ferries mais alargada do grupo central só funciona de junho a setembro. Chegar aos grupos oriental ou ocidental significa, na maior parte dos casos, voar, e esses voos — sobretudo para as Flores e o Corvo — custam mais e são menos frequentes do que quem viaja pela primeira vez costuma esperar. Explico a mecânica, e onde as tarifas tendem a cair, em voos entre ilhas com a SATA.
Por isso, a pergunta honesta para o orçamento não é “quanto custam os Açores”, é “quantas vezes tenciono sair de uma ilha”. Cada partida é uma despesa que Portugal continental e a Madeira nunca cobram.
O que as refeições realmente me custaram
A comida é a única categoria em que os Açores genuinamente não penalizam ninguém. Um almoço simples — peixe, um prato grelhado, uma sopa — fica próximo do que se pagaria numa vila portuguesa de dimensão média no continente, por vezes menos fora de Ponta Delgada. A única refeição que vale a pena planear e orçamentar com antecedência é o cozido das Furnas, o guisado de carne e legumes cozinhado lentamente durante seis ou sete horas no calor vulcânico junto à lagoa das Furnas.
Não é caro pelo prato, mas é algo que se reserva num restaurante com 24 a 48 horas de antecedência (mais tempo em julho e agosto), porque as panelas entram na terra antes do amanhecer e saem a meio da manhã — não dá para decidir de repente, à uma da tarde, que se quer provar. Detalhei tudo no guia completo do cozido das Furnas, e a cena gastronómica mais alargada, incluindo o queijo de São Jorge e a plantação de chá da Gorreana, no guia da gastronomia açoriana.
Os banhos termais são o outro pequeno custo específico que vale a pena conhecer antecipadamente em vez de adivinhar: tanto a piscina termal do parque Terra Nostra como a Poça da Dona Beija, nas Furnas, cobram uma entrada modesta, sendo que a Poça cobra mais depois das 18h do que antes das 17h30 — um pormenor fácil de não notar até se estar junto ao portão.
O que diria mesmo a quem visita pela primeira vez
Se o preço for o fator decisivo entre os Açores e outro destino qualquer, escolhe uma ilha — São Miguel é a escolha óbvia e mais bem ligada — e orçamenta essa viagem como farias para a Madeira: um voo de ida, um carro alugado, uma base de hotel ou um par de mudanças dentro da mesma ilha. Calculados assim, os Açores não são mais caros do que Portugal continental, nem dramaticamente diferentes da Madeira.
O que eu evitaria é orçamentar uma semana numa só ilha e depois, mentalmente, aumentar essa conta para “e vou juntar também o Pico e o Faial” sem recalcular nada. Essa segunda e terceira ilha trazem cada uma o seu próprio aluguer de carro e a sua própria tarifa de voo ou ferry, e essa é a verdadeira razão pela qual um arquipélago de nove ilhas pode acabar por custar mais do que uma ilha só com nove milhas de comprimento — não é a comida, não são os bilhetes de entrada, é a distância entre as partes.
Para uma rota que tenha isso realmente em conta com honestidade, começaria por quantos dias precisas nos Açores e que ilha visitar primeiro, e depois olharia para um itinerário já montado como Açores em 10 dias por três ilhas ou o guia sobre visitar uma ilha ou várias ilhas antes de decidir quantas ilhas vais mesmo fazer.
Se decidires que a versão de várias ilhas vale a pena — e, no meu caso, ver o cone do Pico a partir de um barco de observação de baleias ao largo de um passeio de observação de baleias e golfinhos em São Miguel tornou tudo válido até à última tarifa de ferry — orçamenta os voos e o segundo carro alugado desde o primeiro dia, em vez de os descobrires depois de já teres reservado os voos para Ponta Delgada.
Uma manhã no trilho da cratera com uma caminhada guiada até à Lagoa do Fogo ou um dia num passeio de 4x4 pelo Nordeste custa mais ou menos o que se esperaria de uma atividade guiada em qualquer ponto de Portugal — é o ir e vir entre ilhas que muda o total, não as coisas que efetivamente se fazem depois de chegar.
Para a versão estruturada de números diários que deixei propositadamente de fora aqui, ver o orçamento diário para os Açores; para gastar menos com o alojamento, onde ficar nos Açores; e para esticar um orçamento apertado, coisas gratuitas para fazer nos Açores.
Perguntas frequentes sobre o custo de visitar os Açores
Os Açores são mais baratos do que a Madeira?
São, de um modo geral, semelhantes numa viagem a uma só ilha, já que ambos são destinos portugueses com preços em euros. Os Açores ficam mais caros do que a Madeira assim que se acrescenta uma segunda ou terceira ilha, porque a Madeira é uma única ilha que se percorre de ponta a ponta de carro, enquanto os Açores obrigam a voar ou apanhar o ferry entre zonas de aluguer de carros separadas.
Os Açores são mais baratos do que Portugal continental?
Os custos do dia a dia — um café, um prato de peixe, um quarto para dormir — ficam próximos dos de Portugal continental. O que Portugal continental não tem é a camada extra de voos inter-ilhas, ferries e alugueres de carro repetidos que uma viagem multi-ilha aos Açores acrescenta.
Alugar um carro nos Açores é caro?
Um único aluguer numa ilha tem um preço razoável. O custo multiplica-se num itinerário de várias ilhas, porque cada ilha tem a sua própria frota de aluguer — entrega-se o carro antes de apanhar o voo ou o ferry, e recolhe-se um novo à chegada, pagando um novo conjunto de taxas de cada vez.
Quanto custa voar ou apanhar o ferry entre as ilhas dos Açores?
Os voos inter-ilhas com a SATA Air Açores e os ferries da Atlânticoline não são extras gratuitos — são uma despesa recorrente em qualquer rota de várias ilhas. O triângulo de ferries Pico–Faial–São Jorge funciona todo o ano e é a ligação inter-ilhas mais económica e fiável; os voos para os grupos mais afastados tendem a custar mais e a rarear fora do verão.
Consigo fazer os Açores com um orçamento apertado?
Sim, mas a versão económica dos Açores é uma viagem a uma só ilha, não a nove ilhas. Ficar apenas numa ilha permite evitar os custos extra de aluguer de carro, voo ou ferry que vêm com o salto entre ilhas.
Os Açores custam mais do que as Ilhas Canárias?
É um tipo de despesa diferente, não simplesmente mais ou menos. As Canárias têm transporte inter-ilhas mais barato e frequente, e uma estação seca mais longa que estica melhor o orçamento; os Açores cobram mais pela logística de circular entre ilhas, compensado pelo facto de muitas das melhores coisas para fazer — trilhos, miradouros, piscinas naturais — não custarem nada.
Qual é a maior despesa que as pessoas costumam subestimar nos Açores?
Tratar o arquipélago como se fosse uma só ilha. Uma semana inteira em São Miguel é genuinamente acessível. Essa mesma semana dividida entre São Miguel, Pico e Faial acrescenta um segundo aluguer de carro, um voo ou ferry, e muitas vezes um quarto mais caro perto de um segundo aeroporto — custos que quem viaja pela primeira vez, ao comparar destinos online, raramente vê chegar.
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